Anuncio de que o Backpage.com foi fechado pelo FBI

A FOSTA-SESTA, o fecho do Backpage e o futuro das Acompanhantes

28 min de leitura

Backpage.com – A Liberdade de expressão acima de tudo.

À luz dos mais recentes acontecimentos que estão presentemente a ocorrer nos EUA, a equipa técnica do CMS Escortera decidiu vir hoje tecer alguns comentários sobre o tema.

Antes de mais devemos reiterar veementemente que, na toda plenitude libertária que normalmente assiste aos Geeks mais profundos, somos totalmente contra quem nos corta a liberdade de expressão.

Ideologias e clivagens políticas à parte, não obstante a nossa equipa estar mais ou menos em sintonia em muitas matérias, afirmamos publicamente que somos todos contra práticas totalitaristas, proteccionistas ou conservadoras. Respeitamos opiniões contrárias. Dissemos.

Vamos lá começar. O que se está a passar?

O artigo 230 da “Communications Decency Act”

A Internet foi fundada sob o principio da livre liberdade de expressão e foi isso que a fez florescer comercialmente e de forma exponencial a partir de 1996.

Em 1996 saia para a rua o artigo 230 da  “The Communication Decency Act” nos EUA, artigo esse que regulava especificidades que a novidade da Internet começava a encetar.

Salvo algumas situações de âmbito criminal, foi estipulado nesse artigo 230  que os fornecedores de comunicações, onde se incluem os donos de páginas Web e serviços de alojamento de sites, nunca poderiam ser responsabilizados por conteúdos publicados pelos visitantes anónimos ou não anónimos que frequentariam os seus sites.

Não só porque seria humanamente impossível controlar todos os conteúdos publicados nas páginas, especialmente numa época em que os primeiros conceitos da Web 2.0 começavam a surgir (foruns de discussão, chats ao vivo,etc), mas também porque achou-se que os automatismos necessários para monitorizar os conteúdos seriam de uma envergadura tal, que só as grandes corporações os poderiam alguma vez almejar.

Assim e para bem do crescimento da Internet comercial, para bem da liberdade de expressão e especialmente para bem da uma concorrência mais justa, surgia o famoso artigo 230.

Mais de 35% de todos os dados na Internet correspondem a Sexo
Mais de 35% de todos os dados na Internet correspondem a Sexo

A explosão da pornografia, Sexo e culturas alternativas na Internet

A partir de 1996 e com o artigo 230, a Internet correu à velocidade da luz.

Entre alguns antigos media que se apressaram para a nova galinha dos ovos de ouro, mercados de transacções de artigos e o vulgar E-commerce, começaram então a proliferar milhares de sites com conteúdo pornográfico.

Sejamos francos, o anonimato e o conforto de acesso que a Internet oferecia aos seus utilizadores era impagável para que as grandes produtoras não se apressassem a invadir a Internet.  A Internet estava como pão para a boca para a indústria do Sexo.

Ao mesmo tempo que a indústria tradicional da pornografia (videos pornográficos) se lançava com afinco nessa nova auto estrada da informação, começavam a surgir muitos outros projectos relacionados com a indústria do sexo ou relacionados com temáticas adultas.

Sites pessoais amadores de actrizes pornográficas, Sites de webcams em tempo real com meninas a mostrarem os seus dotes fisicos, comunidades de discussão LGBT, todos surgiram nessa altura e os primeiros sites de encontros na Internet, mais especificamente para relacionamento sexual, começavam a dar os seus primeiros passos.

A mais antiga profissão do mundo, a prostituição, essa não ficou de fora. Nessa altura apareceram também os primeiros sites de classificados adultos e relax.  Foi o inicio também da proliferação dos sites das Acompanhantes e Escorts um pouco por todo o mundo.

O papel da indústria do Sexo nas tecnologias Internet

Génios da programação rapidamente foram trabalhar para a indústria do sexo e as melhores invenções tecnológicas Web e técnicas de social / web marketing que alguma vez foram inventadas na Internet e que hoje conhecemos, foram-no pelos jovens que abarcaram a indústria do sexo até à viragem para o novo milénio.

Muitas das invenções que hoje em dia vemos mediatizadas pelos colossos do social media, Facebook, Instagram, Youtube, Snapchat, entre tantos, foram descobertas e extensivamente usadas (e o ainda o são hoje)  pelas indústrias do entretenimento adulto.

Os algoritmos avançados de compressão de vídeo streaming foram inventados pela indústria pornográfica.

As transmissões de webcam que vemos hoje em dia no Periscope ou no Youtube, já há mais de 20 anos existem na Internet dos adultos.

As primeiras redes sociais e partilha de contactos apareceram na indústria adulta muito antes de qualquer MySpace ou Facebook.

As técnicas de afiliação e vendas comissionistas apareceram primeiro nos sites pornográficos ou de âmbito adulto, muito antes de aparecerem na Amazon quando esta ainda só vendia livros online.

Com a chegada dos fundos de investimento e do grande capital de risco à Internet, estes historicamente avessos à indústria do Sexo, aos riscos e ética moral que essa indústria acarreta, muito dinheiro começou a ser lançado em novos projectos “mainstream”, ou seja, projectos fora da área de adultos.

Com a chegada destes, muitos programadores e génios informáticos de topo abandonaram a Indústria do sexo e dos Sites Adultos, contudo as suas invenções ficaram para a posteridade e são hoje em dia usadas por centenas de milhões de pessoas todos os dias.

A escalada dos sites de Classificados de Convivio e de Acompanhantes

Entrando no novo milénio, a indústria do sexo na Internet jorrava saúde e com ela começavam pouco a pouco a aparecer os primeiros unicórnios na Indústria dos classificados adultos e acompanhantes, nicho esse que até então tinha actuado num mercado altamente capilarizado e muito fragmentado.

Nos EUA por exemplo,  o rei dos anúncios de classificados de acompanhantes era o Craigslist.com e assim o foi até cerca de 2010, ano em que sob imensa pressão mediática e política, foi obrigado a suspender a área de “Escorts e Acompanhantes”.

Na altura foram várias as vozes que surgiram alegando que seria o principio do fim da liberdade de expressão na Internet, mas achou-se que uns poucos casos de violação e outros crimes cometidos supostamente por contactos iniciados através do Craigslist, justificariam o fim dessa categoria de serviços no mesmo.

Claro que muitas das prostitutas, massagistas e acompanhantes de luxo rapidamente se mexeram publicando os seus anúncios em outras categorias do Craigslist, nomeadamente na categoria de Dating, os vulgares encontros e namoro.

Contudo as reservas e a moderação a esses anúncios intensificaram-se por parte do staff do Craigslist, o que levou à progressiva debandada do Craigslist por parte de muitos anunciantes adultos, ávidos de novos sites onde pudessem promover e divulgar os seus serviços.

O mercado dos classificados de sexo voltou a estar fracturado nos EUA e muitos adultos dispersaram-se por centenas de sites, mas apenas por poucos meses….

A prostituição aflui para os sites de classificados e acompanhantes na Internet
A prostituição aflui para os sites de classificados e acompanhantes na Internet

O surgimento do Backpage.com – O novo Rei dos Classificados adultos.

Por volta do ano de 2004 surgia o Backpage.com, apontado inicialmente como um rival do Craigslist e que também actuava no mercado vertical dos classificados horizontais.

Será importante clarificar o caro leitor do Blog Escortera sobre o que significam os conceitos Vertical e horizontal quando falamos de mercados Internet.

Um nicho ou mercado horizontal em Internet é consensualmente aceite como um site que possui várias categorias ou segmentos informativos. Um exemplo será um portal tipo o Sapo.pt ou um Yahoo.com, com os seus serviços de noticias temáticas, serviços de Email, Blogs e outros.

Já um vertical em Internet significa que o site aponta para uma determinada categoria de serviços em especifico.

Ora, na indústria dos classificados e dos anúncios online há os verticais e horizontais.

Um exemplo de um site de anúncios classificados Vertical é o Escortera.com, pois só lida com a publicitação de anuncios de profissionais do sexo independentes.

um exemplo de um site de classificados horizontal poderá ser um OLX.pt, pois o mesmo compreende uma série de categorias diferentes de anúncios, que poderão abranger toda a área automóvel, a venda de artigos de tecnologia e acabar nas áreas de anúncios de encontros ( de carácter não sexual).

Retomando o assunto do Backpage.com, este era (e sempre foi) um portal de classificados do estilo “horizontal”, muito secundário enquanto o Craigslist reinou com os anúncios de acompanhantes, contudo quando o Craisglist foi forçado sob pressão a fechar as àreas adultas em 2010, rapidamente o Backpage se tornou o destino de muitas pessoas da indústria do sexo.

Em 2011 já era o segundo site de classificados mais visitado nos EUA logo atrás do Craigslist, muito à conta do florescimento das áreas de anúncios destinados aos Acompanhantes de luxo, massagistas, strippers e outros quejandos.

Um Backpage.com Renascido e com mais força

O negócio corria de vento em popa e estima-se que já em 2011 a facturação anual do Backpage seria na ordem dos vários milhões de dólares anuais, sendo que 90% destes seriam à conta da venda de anúncios adultos.

Não obstante ser um negócio altamente lucrativo, os donos do Backpage.com,  a norte americana dona de vários títulos de imprensa alternativos “Village Voice People“, talvez prevendo problemas futuros do mesmo âmbito que o Craigslist tinha tido anos antes, decidiu vender em 2014 todas as suas participações a uma nova empresa encabeçada por ex-executivos da “Village Voice People”  com Carl Ferrer, fundador do Backpage, à cabeça da nova empresa.

Carl Ferrer, através de várias empresas participadas e sub participadas por uma holding sediada na Holanda, começou a gerir o Backpage.com com o propósito especifico de expandir as vendas do que começava a ser o seu nicho principal, a venda de anúncios às acompanhantes de luxo e serviços de prostituição em geral.

Dos cerca de 6 milhões de dólares reportados de facturação no ano de 2011, Carl Ferrer construiu um mega mastodonte de classificados online , maioritariamente de anúncios de prostituição, capaz de gerar receitas na ordem dos 500 milhões de dolares anuais. Alguns argumentam que foram 500 milhões acumulados e não anuais, mas temos por fonte segura que seriam valores anualizados.

Várias fontes mencionam que os valores em finais de 2017 chegavam a ser bem superiores aos cerca de 500 milhões reportados. Para se ter uma ideia da dimensão do negócio, há indicações de que entre 2013 e 2015 e somente para o estado da Califórnia nos EUA , o Backpage tinha conseguido vendas acumuladas em torno dos mais de 50 milhões de dólares. Estima-se que nessa altura 99% das vendas viriam apenas das áreas dos anúncios de acompanhantes.

Ora, o Backpage.com vendia anúncios em todos os estados norte-americanos, todo o Canadá, Austrália e em todos os Países da Europa. Com enormes margens comerciais e uma estrutura de custos muito leve, confirma-se que era uma máquina de fazer dinheiro.

A sorte começa a mudar para Carl Ferrer e o Backpage.com

Em meados de 2016 o Backpage.com começa a sofrer as primeiras consequências do seu enorme sucesso e mediatismo.

Um site de classificados adultos, com imensos conteúdos de prostituição e com mais de 200 milhões de visitantes mensais (chegou a ser o 50º site mais consultado nos EUA) não poderia ficar incólume aos olhos dos politicos mais conservadores e das pseudo associações que levianamente e de forma hipócrita defendem os direitos das mulheres e dos explorados sexualmente.

O senador Rob Portman juntamente com alguns outros senadores conservadores iniciam uma dura batalha para deitar o Backpage.com abaixo, alegando que no mesmo se praticavam, não só o crime de divulgação de serviços de prostituição, bem como havia imensas suspeitas de que poderiam estar a ocorrer crimes de exploração sexual de menores e práticas coercivas de lenocinio.

Desde essa altura e durante anos, Carl Ferrer e altos quadros do Backpage, quando ouvidos pelo senado e autoridades policiais, tentaram justificar que muitos dos anúncios eram moderados e que apesar de eles tentarem avidamente banir abusos relacionados com menores e lenocínio, era natural que alguns do género, entre milhões, pudessem eventualmente escapar e acabar por serem publicados.

Contudo durante anos afirmaram que mais nada poderiam fazer, alegando que o conteúdo não era administrado e publicado por funcionários do Backpage, mas sim por anónimos terceiros. Escudavam-se assim no famoso artigo 230, que entre outros, isenta de responsabilidade os donos dos sites por comportamentos indecorosos ou criminais perpetuados pelos seus visitantes.

A pressão foi aumentando por parte das autoridades e da ala mais conservadora do Senado, até que sob o fundamento de compadrio em actividade de exploração de menores, decidiram prender Carl Ferrer, Michael Lacey e James Larkin, CEO e outros co-fundadores do Backpage.

O que é facto é que a coisa acabou por não dar em nada e sob fiança estavam os três novamente livres para prosseguir os seus negócios, sempre sob a justificação da quinta emenda e sempre alegando o artigo 230 da “Coomunications Decency Act” dos EUA.

A alteração das regras e categorias, com o intuito de evitar uma condenação

Logo no inicio de 2017 e ainda continuando sob investigação, o Backpage.com decide terminar as categorias de “Adultos e acompanhantes” (e todas as outras relacionadas, BDSM, massagistas e afins) nos EUA. Poderia ser que transmitissem a ideia de que estavam activamente a colaborar com as autoridades e dessem a entender que estavam a desistir do seu core de negócio.

As categorias de prostituição somente foram abandonadas nos EUA. As mesmas continuariam activas e pujantes em todos os outros mais de 200 Países onde o Backpage vendia anúncios de acompanhantes.

Na altura pensava-se que as autoridades deixariam o Backpage.com em paz, mas num revés, todas as acompanhantes que anteriormente anunciavam nas categorias agora extintas viraram-se para as categorias ditas “normais”.

As categorias de encontros, Homem procura mulher, Mulher procura Homem e outras similares encheram-se de anúncios de profissionais da industria do sexo e com artificios de linguagem, lá prosseguiram a anunciar no Backpage.com

A machadada final no Backpage e para Carl Ferrer

É importante referir que já no decorrer do ano de 2017, muitos congressistas começavam a falar na hipótese de se criar uma excepção ao artigo 230. Criando uma espécie de adenda que colocasse de fora os sites de acompanhantes, seria a forma de colocar finalmente o Backpage fora do ar.

Sob imenso escrutinio público, nomeadamente debates entre empresas de âmbito tecnológico, associações de defesa do consumidor, associações pró-liberdade de expressão e obviamente o governo norte americano, elabora-se o decreto de lei que viria a sentenciar o destino do Backpage.

Entre Janeiro e finais de Março de 2018 essa nova adenda ao artigo 230 iria a 2 sessões de votação e sairia aprovada magnanimamente. 97 votos a favor e apenas 2 votos contra foi o resultado. O mais estranho de tudo é que tanto conservadores como democráticos votaram maioritariamente a favor da lei, não obstante as inumeras reservas lançadas por muitos acerca do que uma adenda dessas significaria para o futuro da Internet.

A 6 de Abril de 2018 e ainda sem que a nova adenda tivesse sido assinada pelo presidente Trump, o FBI e a homeland securities decidem fechar o dominio www.Backpage.com e todos os outros TLD´s e sites relacionados (Cracker.com e outros). No mesmo dia fazem raids policiais às diversas instalações do Backpage no mundo e às casas dos seus sócios fundadores. Era o fim do Backpage.com

Detenção de Carl Ferrer - CEO do Backpage.com
Detenção de Carl Ferrer – CEO do Backpage.com

FOSTA / SESTA – O que ambas significam ao abrigo do 230 do “Communications Decency Act” ?

FOSTA – “Fight Online Sex Trafficking Act” e a SESTA – “Stop Enabling Sex Traffickers Act”, são nomenclaturas para definir a famosa adenda ao artigo 230.

Em suma, a conjugação destas duas adendas como um todo, passam a culpabilizar civil e criminalmente todos aqueles privados ou empresas norte-americanas que, gerindo qualquer meio de comunicações (sites internet ou outro), alojem ou transmitam conteúdos que de alguma forma estejam ligados a prostituição, acompanhantes ou trabalhadores sexuais.

Mais, permite a pessoas que se sintam lesadas de alguma forma por exploração sexual, de agirem criminalmente contra os sites que alojam esses conteúdos, ou seja, em teoria passa a ser possivel a uma vitima de uma violação agir criminalmente contra o sitio de Internet a partir do qual o contacto pessoal, que originou a violação, se iniciou.

E mais ainda. Pela leitura atenta de ambos os actos, FOSTA e SESTA, assume-se que a lei passa a ter efeitos retroactivos, o que na opinião dos advogados sondados pelo Escortera.com atenta claramente contra a constituição dos EUA.

As linhas escritas nos actos são tão ridiculas e tão vagas que ficamos sem saber se os outros trabalhadores do sexo serão atingidos. Como tratar as profissionais que se despem na Webcam? Publicar conteúdos pornográficos poderá ser entendido pelas autoridades como um incentivo à prostituição? Onde se balizam os nichos que toda a área de conteúdos adultos enceta?

Efeito bola de neve pós FOSTA e SESTA e o fecho do Backpage.com

Lembramo-nos agora de que no passado recente já tinham começado a ocorrer uns laivos de censura aos profissionais do sexo, do convivio e da prostituição.  Alguns sites de acompanhantes de luxo já tinham tido problemas, o notório caso do Redbook e recordamo-nos também do caso Rentboy que foi relatado aqui no Blog do Escortera.com há alguns anos atrás.

Após as 2 votações do FOSTA/SESTA e não só antes mas também depois do fecho do Backpage no último dia 6 de Abril de 2018, os efeitos catastróficos não se demoraram a sentir.

Diversos sites de acompanhantes e de anúncios relax líderes no mercado norte-americano decidiram encerrar definitivamente ou então alterar os seus termos e condições.

Sites da especialidade, forúns de discussão de acompanhantes (semelhantes ao Gp-pt.net em Portugal), grupos de chat ao vivo em comunidades adultas, todos eles estão a fechar ou estão para fechar.

Devido a isto a maior parte das prostitutas nos EUA ficaram actualmente quase sem meios de divulgar os seus serviços, o que está a originar seríssimas situações de privação económico-financeira. São alguns os relatos de muitas prostitutas que já não conseguem pagar as rendas das suas casas ou sequer alimentarem-se.

Mas porque a FOSTA / SESTA abrangem todo e qualquer fornecedor de conteúdos ou alojamento, o Twitter, Facebook, a Google e tantos outros serviços de alojamento na Cloud decidiram também começar a bloquear quaisquer contas que,  veiculando de alguma forma a divulgação de conteúdos adultos, possam estar a  vender serviços sexuais.

São vários os relatos de sites pessoais bloqueados a pessoas que tinham simples conteúdos eróticos alojados na Wix e mesmo até casos de livros que falavam de sexo banidos para venda na Amazon.com .

O pânico é geral nos EUA e suspeita-se que isto seja só o inicio. Há quem afirme que a perseguição não é somente em relação às prostitutas, mas sim a todo o mercado de entretenimento adulto. Em última consequência, uma perseguição a todos os norte-americanos.

Que implicações pode ter a SESTA / FOSTA para aqueles fora dos EUA?

A SESTA / FOSTA, sendo uma normativa norte-americana, só se aplica a quem reside, vive ou desenvolve negócios para, com e nos EUA.

Os negócios, sites adultos, sites de acompanhantes, sites de webcams adultas, blogs pessoais e enfim, tudo o que sejam conteúdos de SEXO no seu geral e que estejam alojados FORA dos EUA ou que não tenham nenhuma implicação com os EUA, poderão nesta fase estar descansados. Estão a salvo.

Contudo a equipa do Escortera.com tem algumas recomendações a fazer aos Webmasters, não só aos do mercado adulto e pornográfico, bem como todos os outros que alojem conteúdos interactivos gerados pelos seus utilizadores finais:

  • Assegure um backup dos seus Dominios .COM e .NET em outros TLD´s e em outros Registrars fora dos EUA. Os dominios .COM, .NET e alguns outros (.CC) são geridos pela Verisign ou suas afiliadas. A Verisign é uma empresa norte-americana. A equipa do Escortera, não obstante ter o seu projecto BETA Escortera.com alojado em servidores fora dos EUA,  já fez há alguns anos o registo de vários outros TLD´s no caso de repente ficar sem o seu .COM

  • Aloje os seus sites/conteúdos em ISP´s fora dos Estados Unidos. Evite alojamento partilhado, VPS ou na Cloud e opte sempre por servidores dedicados.

  • Independentemente da actividade de publicitação de anúncios de acompanhantes e de sexo sejam legais ou não estejam regimentados por qualquer lei na maioria dos Países Europeus e outros fora dos E.U.A, aconselhamos sempre a uma pré-moderação de todos os conteúdos que entrem nas suas páginas. Chats, caixas de comentários ou publicações em fóruns e outros que requeiram interacção com os seus visitantes deverão ser cautelosamente moderados.

  • Se é uma empresa de conteúdos adultos, reveja todas as suas parcerias com empresas norte-americanas ou API´s usadas e produtos ou serviços terceirizados nos seus sites. Assegure-se de que há delegações e webservices também servidos na Europa ou outro continente no mundo por essas empresas dos EUA.

É enorme a contestação ao SESTA e FOSTA por parte da comunidade Internet
É enorme a contestação ao SESTA e FOSTA por parte da comunidade Internet

Muitas dúvidas sobre o futuro Pós FOSTA / SESTA

Para a equipa de desenvolvimento do CMS Escortera são muitas as questões que ficam, pelo menos por agora, por responder. São também algumas as previsões do que naturalmente irá acontecer.

A Google e a dependência do mesmo

Sendo que a maioria do tráfego dos sites adultos provém dos resultados de pesquisa orgânicos do Google, como será que o Google se irá comportar doravante ?

Irá bloquear os resultados dos sites de acompanhantes e classificados relax do seu motor de busca? Irá bloquear todo e qualquer site, incluindo os de pornografia ?

Ou uma vez que a Google possui vários TLD´s, somente irá bloquear esses resultados da pesquisa orgânica do Google.com nos EUA ?

Porque a Google é dona de 90% do mercado mundial de pesquisa e porque é uma empresa norte-americana, será que é desta que a Google será obrigada a ter práticas menos monopolistas por força da desta nova lei da rolha aplicada nos EUA ?

Os crimes sexuais não irão acabar e a exploração irá aumentar

Não sejamos hipócritas, a venda de serviços de prostituição nunca irá desaparecer da face da terra. Se um site cai, outro irá surgir mais forte e mais seguro. Surgirão de novo como cogumelos.

Aliás, tentativas de calarem os meios de comunicação digitais usados na divulgação de serviços de prostituição só irão fazer com que muitas das actuais profissionais de sexo nos EUA voltem para as ruas, atentando isso sim, contra os bons costumes na praça pública daquele País puritano e contra a própria segurança das prostitutas e até dos clientes.

Uma imposição da censura a este nível absurdo só irá fazer renascer com mais força as práticas de proxenetismo, com muitas prostitutas a serem obrigadas a contratar serviços de agências ou homens exploradores para que possam obter clientes.

Dinheiro fora da Economia e aumento do mercado paralelo

A maioria das acompanhantes nos EUA declara os seus rendimentos ao IRS. Mesmo que algumas não os declarassem, muito dele reentrava na economia através do pagamento de serviços publicitários aos sites de anúncios.

Porque a maioria dos grandes sites de anúncios de acompanhantes e prostituição nos EUA eram financeiramente auditados, independentemente da sua domiciliação fiscal, as autoridades norte-americanas podiam colocar a mão de uma forma mais assertiva em todos os biliões que a indústria adulta gera anualmente.

Assim, ao obrigarem as profissionais a virem para a rua e a obrigarem as mesmas a ficarem na mão dos proxenetas, será muito mais dificil às autoridades darem uma dentada no grande bolo de dinheiro que movimenta a indústria da prostituição.

As acompanhantes de luxo, prostitutas e todos os relacionados irão para a Darkweb e Deepweb

Se a perseguição continuar aos trabalhadores do sexo e se todas as redes sociais e conceitos 2.0 continuarem a banir os seus conteúdos, redes de proxenetas migrarão todas para os confins da DeepWeb, bases de dados de profissionais do sexo que não serão indexadas pelos motores de pesquisa.

Porque esses anúncios não ficarão públicos e indexados pelo Google, tornar-se-á muito mais dificil às autoridades policiais conseguiram monitorizar comportamentos desviantes, tais como redes pedófilas ou outros abusos criminais e sexuais.

Algumas práticas criminosas passarão a ser feitas fora dos olhares públicos aos olhos de toda a gente, ao contrário do que acontecia com o Backpage, e passarão a estar fora do alcance e reporte policial.

Pior ainda, será uma questão de meses para que surjam autênticas mega-operações criminosas de indole sexual dentro da DarkWeb. Não que já não existam, mas irão surgir cada vez mais sites descentralizados a que só se acede de forma encriptada e com clientes Web do tipo TOR e onde autênticas redes pedófilas e de prostituição infantil irão proliferar.

Nessa altura será impossível, por questões técnicas e de knowhow das forças policiais, deitar abaixo qualquer rede deste género. A luta contra a exploração sexual infantil e a luta contra o proxenetismo de maiores de idade estarão indelevelmente perdidas.

A agressividade do governo de Donald Trump em relação às tecnológicas e Internet.

O panorama politico nos EUA, desde a eleição de Trump, nunca foi amistoso para a liberdade de expressão nos EUA e muito menos para as tecnológicas.

No que toca aos media comuns, Trump nunca gostou dos meios de comunicação tradicionais. Acusa sistematicamente os orgãos de informação de publicarem noticias falsas. “Fake News!”, “Fake News!” repete a administração Trump nos últimos 2 anos.

No que toca às tecnológicas mainstream, Trump está a começar a ter uma atitude ultra proteccionista, atente-se para as últimas declarações de Trump sobre a Amazon.com

No que toca às premissas fundadoras da Internet, vejam-se as inúmeras tendências do governo Trump em torno do fim da neutralidade da Internet.

Donald Trump pertence a uma casta de nepotistas conservadores republicanos e só esta caracterização é suficiente para saber o que o futuro reserva à Internet nos EUA.

A pornografia e a nudez serão os próximos alvos na Internet pela mão dos Republicanos.

Historicamente os governos republicanos nos EUA nunca conviveram muito bem com as supostas imoralidades (palavras deles).

Está no ADN deles aquele conservadorismo mesquinho de quem julga a sexualidade e comportamentos desviantes dos outros e hipocritamente nunca olha para dentro de sua própria casa. A provar isto, vejam-se os ínumeros escandalos sexuais dos últimos anos, que tradicionalmente estão mais à direita do que à esquerda.

Há diversos sinais e já de há algum tempo de que o governo de Trump detesta a indústria pornográfica e do sexo em geral. Várias vezes afirmaram que a pornografia online ou tradicional são um “problema de saúde pública”.

Já em Julho de 2016, meio ano antes de iniciar funções na casa branca, Trump tinha assinado a “The Children’s Internet Safety Presidential Pledge”, uma missiva de uma organização Anti-pornografia e já aí se adivinhava o que estaria para vir.

O receio de uma possível eleição de um governo republicano de Trump e os efeitos que teria para a indústria pornográfica nos EUA já faziam eco num debate entre um painel de juristas das principais produtoras porno na AVN de 2016 em Janeiro de 2016.

É portanto mais do que natural que a seguir à perseguição dos sites de anúncios de acompanhantes, o governo Trump prossiga a sua senda e aponte cargas à simples pornografia.

Será a DarkWeb a alternativa para todas as acompanhantes, prostitutas e outras profissionais do Sexo ?
Será a DarkWeb a alternativa para todas as acompanhantes e outras profissionais?

E Portugal? O que mudará nos sites de Acompanhantes em Portugal e nos anúncios de prostituição em geral?

A prostituição em Portugal nem é criminalizada do lado do cliente, nem no lado da prostituta, ao contrário do que acontece na maioria dos estados norte-americanos, à excepção do estado do Nevada.

Veículos de transmissão publicitária dos serviços de prostituição e sexo não estão sequer regimentados em Portugal. A verdade é que não há sequer legislação sobre o tema, mas entendem-se como socialmente aceites e permitidos os serviços de publicidade a prostitutas.

O melhor exemplo disto são as 4 páginas centrais de anúncios de prostitutas diariamente publicadas no maior titulo de imprensa nacional há mais de 30 anos (Aka: Correio da Manhã), titulo esse detido pela cotada em bolsa COFINA e que por sua vez é detida por um dos maiores conglomerados cotados na Euronext Lisboa, o grupo ALTRI.

Em Portugal e no que diz respeito a serviços de prostituição, as únicas coisas que são criminalizadas são os actos de lenocínio e proxenetismo nas suas vertentes clássicas, ou seja, a exploração do trabalho sexual de terceiros para fins lucrativos, tipicamente com coacção moral ou fisica.

Face a isto, torna-se claro que as prostitutas em Portugal, os donos de veiculos publicitários para elas (jornais, sites de acompanhantes de luxo, foruns de discussão sobre o tema e outros relacionados)  e todos os outros serviços indirectos  (serviços imobiliários, artigos eróticos, etc) continuarão a ser permitidos e continuarão fortes e com muita saúde para os anos vindouros.

O que faremos no caso da “Doença” anti-prostitutas e anti-pornografia chegar até Portugal?

Como afirmámos ao inicio deste artigo que já vai longo, aqui na equipa de desenvolvedores do Escortera somos todos pró liberdade de expressão e pró-liberdade de escolha.

Sabemos que há pessoas que entram na prostituição por necessidades relacionadas com fragilidades económicas ou psicológicas, mas a nossa experiência diz-nos também que há muitas mais pessoas que entram na prostituição, articuladas e de plena consciência, só porque simplesmente querem ganhar dinheiro.

Não somos ninguém para julgá-las, aliás porque aqui no Escortera.com e na maioria de outros sites e plataformas, tanto quanto sabemos, ninguém publicita anúncios de prostituição. São apenas veiculadas mensagens para convivio por parte de eventuais prostitutas, o que é bem diferente. O que as mesmas fazem ou deixam de fazer através de contactos iniciados pela nossa plataforma não nos diz nem nunca nos dirá respeito.

Aqui na equipa de desenvolvimento do Escortera somos por um estado que se preocupe em  aconselhar e guiar as pessoas, mas nunca em tutelar ou impor escolhas pessoais.

Aqui na equipa Escortera somos todos por uma policia atenta aos crimes praticados contra os menores de idade, abusos infantis e todas as práticas pedófilas.  Achamos que  os sites de anúncios de convivio e de acompanhantes, ao tornarem esta actividade visivel a todos, podem ajudar a policia a investigar possiveis abusos.

Aqui no Escortera há muito que defendemos a total regulação das práticas de prostituição, serviços de sexo e afins.  Não achamos justo confinar à margem da sociedade um conjunto de pessoas que de livre vontade e totalmente esclarecidas querem trabalhar no meio.

Aqui dentro desconhecemos a palavra “imoralidade” e por uma boa razão. A moral vem da religião e aqui somos todos ateus.

No caso de a “doença” anti-prostitutas e anti-pornografia chegar até Portugal, a Equipa do Escortera saberá bem o que fazer. Reuniremos, discutiremos e a seguir meteremos tudo na Darkweb. A imoralidade sentida por uns poucos não nos demoverá um centimetro.

Texto de: Escortera.com – CMS para criar Directórios de Acompanhantes

A FOSTA-SESTA, o fecho do Backpage e o futuro das Acompanhantes was last modified: Abril 19th, 2018 by escortera

3 pensamentos em “A FOSTA-SESTA, o fecho do Backpage e o futuro das Acompanhantes

  1. Eu agradeço o artigo confesso que não estava a par dos acontecimentos (falha minha). Recebi dezenas de emails de empresas onde tenho vídeos e faço web show (as grandes) para alterar todos os meios de pagamento porque os que uso a 8 anos foram barrados (paypal, plaza, firts pay ou payonner) estão a procura de alternativas não esta a ser fácil. A Internet permitia a profissionais como eu trabalhar em qualquer parte do mundo, parece que vai começar a existir limitações. Esperar para ver!

    1. É de facto um pandemónio geral nos EUA e há muitas pessoas que não estão a par.

      Se conhecer alguém do meio, alguma conhecida que trabalhe no meio adulto (webcams show virtual ou contactos reais) e com a Internet, faça-lhes chegar este artigo.

      Não há praticamente nenhuns artigos redigidos em Português, que falem sobre o tema e dêem dicas aos profissionais e webmasters com conteúdos na Internet. Agradecemos que espalhe este artigo e informação pela comunidade.

      Julgamos que é da maior importância dar a conhecer todos esses profissionais sobre o tema.

      Conhecemos casos de quem já ficou sem os sites WIX e em algumas plataformas, falamos de acompanhantes portuguesas. 🙁 . O Escortera por exemplo já há bastante tempo tem o dominio escortera.com bloqueado no Facebook. Nada que tenha a ex+pressão ou dominio Escortera consegue ser partilhado pelo Facebook (mesmo em mensagens, chat privado). Nunca soubemos a razão.

      Se a moda da censura dos EUA pega, será um instante para chegar à europa e Portugal.

      Um abraço TugaEris!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *